É uma situação muito comum: a empresa olha para a conta bancária e vê 15.000 €, 20.000 € ou 30.000 €. A tentação é pensar que esse é o dinheiro que pode gastar.
Mas o saldo bancário é apenas o ponto de partida. Parte desse dinheiro pode estar destinada a IVA, fornecedores, salários, Segurança Social, impostos ou outras obrigações.
O que interessa para tomar decisões é perceber quanto do saldo já está comprometido e quanto pode ser utilizado sem criar um problema de tesouraria mais à frente.
Exemplo simples
Imagina uma empresa com:
20.000 €
3.000 €
2.000 €
1.500 €
Numa leitura muito simplificada, já existem 6.500 € de compromissos previsíveis.
20.000 € − 3.000 € − 2.000 € − 1.500 € = 13.500 €
Isto não significa que 13.500 € sejam automaticamente lucro ou que possam ser todos levantados. É apenas uma forma simples de perceber a diferença entre saldo bancário e saldo disponível depois das obrigações consideradas.
O IVA é uma das razões para esta diferença
Quando uma empresa liquida IVA, o imposto devido é apurado considerando, entre outros elementos, o IVA dedutível nos termos do Código do IVA. A Autoridade Tributária indica que o direito à dedução depende das regras do CIVA e das operações e documentos abrangidos.
Por isso, o dinheiro que entrou na conta depois de uma venda não deve ser automaticamente tratado como dinheiro livre para gastar.
Também não basta saber quanto tens de IVA
Uma gestão de tesouraria útil deve olhar para várias coisas ao mesmo tempo:
- saldo bancário atual;
- faturação e recebimentos previstos;
- IVA estimado;
- fornecedores e outras despesas;
- salários e encargos;
- impostos e restantes obrigações previsíveis.
Saldo bancário também não é o mesmo que lucro
Uma empresa pode ter bastante dinheiro na conta e apresentar um resultado fraco. Também pode acontecer o contrário: existir resultado contabilístico, mas a tesouraria estar apertada.
Saldo bancário → dinheiro atualmente na conta.
Resultado → diferença entre rendimentos e gastos segundo as regras contabilísticas.
Disponível estimado → leitura de tesouraria que considera compromissos que já consegues antecipar.
Como evitar gastar dinheiro que já está comprometido
- Consulta regularmente o saldo bancário.
- Estima o IVA antes da data de pagamento.
- Lista os pagamentos que já sabes que vão acontecer.
- Considera os recebimentos que realmente esperas receber.
- Define uma margem de segurança antes de fazer despesas maiores.
Uma pergunta melhor do que “quanto tenho na conta?”
Esta mudança de perspetiva pode ajudar a evitar que uma empresa chegue ao momento de pagar IVA ou outras obrigações e descubra que o dinheiro já foi gasto.
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Calcular o meu Saldo Real →Nota: Os exemplos são simplificados e destinam-se a fins informativos. A situação real depende do enquadramento fiscal, contabilístico, operações e obrigações. O “saldo disponível estimado” não corresponde a lucro contabilístico nem substitui o apuramento efetuado pelo contabilista certificado.